Cuidados com a gastrostomia

Quando estávamos prestes a decidir pela autorização da gastrostomia para nossa bebê, quisemos saber mais sobre ela. Nunca víramos uma pessoa com sonda ou bottom de gastrostomia e achamos que nos sentiríamos mais seguros e preparados se tivéssemos essa experiência. Conversamos com os médicos da UTI a respeito, mas, feliz ou infelizmente, não havia nenhum paciente internado com gastrostomia àquela época.
O Dr.Sérgio, amigo querido desde os primeiros dias de hospital, me disse: "Olha, você sabe que hoje em dia se encontra qualquer coisa na Internet. Se você quiser ver fotos, vai encontrá-las. Mas, sinceramente, eu não recomendo. Muitas vezes há um certo sensacionalismo ou a exposição de condições de uma gravidade maior do que a da Teodora, você pode ficar com uma má-impressão".
Achei ponderado o conselho e resolvi seguir. Na falta da indicação de uma fonte segura, considerei melhor não procurar nada. Mas o que não faz a imaginação de um ser humano?! As imagens que não vemos, criamos, e frequentemente valorizando os aspectos que remetem justamente aos medos que nos esforçamos por recalcar.
Só recentemente descobri que há, na Internet, material da melhor qualidade apresentando o bottom em suas características e funcionamento. Trata-se de um vídeo que está no site da Kimberly Clark, produtora do bottom mais comumente usado no Brasil, o MIC-KEY. Como eu jamais poderia mostrar melhor o produto, segue o link para quem estiver interessado em desmistificar este bicho-papão: http://kchealthcare.or-live.com/digestivehealth/enteralfeeding/patients/life_mic_key_video.cfm. O áudio é em inglês, mas as imagens são de tal forma auto-explicativas que mesmo quem não domina a língua entende a mensagem com perfeição.
O que não aparece no vídeo, e penso que aqui é que pode entrar minha modesta contribuição, é como fazer curativo para gastrostomia. Apesar de ser recomendável girar o bottom 360 graus uma vez ao dia para evitar aderência à pele, não é desejável que ele fique girando o tempo todo, porque o atrito (somado a algum mínimo escape de suco gástrico e, eventualmente, à umidade) irrita e lesiona a pela, causando hiperemias e mesmo carcinomas. Para deixar o bottom um pouco mais fixo e manter a pele ao seu redor sempre sequinha e protegida, fui aperfeiçoando um curativo que garantiu à Teodora uma barriguinha linda. Aí vai o passo-a-passo:


Sobreponha duas gazes extra-absorventes (elas têm o aspecto de um "perfex", com a trama bem fechadinha, e podem ser encontradas em casas de material cirúrgico).


Corte cerca de 1,5 cm do comprimento e da largura, para fazer um quadradinho menor, deixando o curativo mais confortável.



Use micropore para unir três dos lados das gazes, fazendo-lhes uma espécie de "barra" que as manterá unidas. Assim:




Depois, dobre o seu quadradinho ao meio, formando um retângulo. E ao meio outra vez, formando um quadrado bem pequenino.




Na pontinha onde está todo o tecido unido, faça um cortezinho em formato ligeiramente arredondado.



Desdobre. Seu quadradinho terá um pequeno orífício no meio.



A partir do lado que ficou sem micropore, faça um corte para chegar até ele.



Depois de dar um banho gostoso em seu filho ou paciente, enxugue com muito capricho a pele ao redor e sob o bottom, usando gaze para chegar aos cantinhos mais escondidos.




Coloque uma gota, não mais que isso, de Dersani ou V-declair na pele acima e abaixo do bottom, para protegê-la e hidratá-la (não coloque na sonda, pois o óleo lhe diminui a vida útil, de acordo com o manual do fabricante).


"Vista" o curativo ao redor do bottom.


Feche a abertura com um pedacinho de micropore.


E pronto. No primeiro (e talvez no segundo) mês após a colocação do bottom, pode ser necessário trocar o curativo algumas vezes ao dia, pois a pele ainda estará muito sensível. Quando a cicatriz "envaginar", uma troca ao dia, preferencialmente após o banho, será suficiente para uma pele saudável.